Tire suas dúvidas sobre a vacinação contra o coronavírus no Maranhão


O Maranhão e todo o Brasil estão se aproximando do início da vacinação contra a Covid-19. É um passo fundamental no combate à doença. Entenda:

Quando será a vacinação?

Ainda não há data definida. O Ministério da Saúde é quem vai definir o calendário. Há uma estimativa de que seja após o dia 20 de janeiro.

Quem é responsável por fornecer a vacina?

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde. 

E a distribuição das vacinas?

O Ministério da Saúde leva até os estados. Em seguida, cabe ao governo de cada estado fazer a distribuição para as cidades.

Qual será a vacina usada?

Isso será definido pelo Ministério da Saúde, responsável pelo fornecimento.

Como será a distribuição no Maranhão?

Ela vai seguir o que está definido no Plano Estadual de Vacinação, feito pelo Governo do Maranhão. Após o recebimento das doses que virão de Fortaleza para São Luís, as vacinas serão armazenadas na Rede de Frio do Estado, localizada em São Luís. Em seguida, a Secretaria de Estado da Saúde fará a distribuição, em até três dias, para as Regionais de Saúde.

Quais veículos serão usados na operação dentro do Maranhão?

Dois aviões, um helicóptero, três caminhões baús e 18 vans refrigeradas.

Quantos locais de vacinação vai haver?

Serão 2.124 salas de vacinação, sendo possível ampliar para 2.500 salas.

E as agulhas e seringas?

O Governo Maranhão tem 4 milhões de seringas e agulhas para a primeira fase da vacinação. E uma nova leva está sendo comprada.

Como vai ser feita a segurança do transporte das vacinas?

Haverá escolta policial durante todo o trajeto. Toda a movimentação deverá acontecer em conjunto com o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e o Centro Tático Aéreo. 

Como foram definidos os grupos que serão vacinados primeiro?

É o Ministério da Saúde quem define isso para todos os estados brasileiros. 

Quais são estes grupos?

Primeira fase: trabalhadores de saúde; pessoas de 75 anos ou mais; pessoas de 60 anos ou mais em asilos; população em situação de rua; população indígena, povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas.

Segunda fase: idosos de 60 a 74 anos

Terceira fase: pessoas com diabetes mellitus; hipertensão arterial grave; doença pulmonar obstrutiva crônica; doença renal; doenças cardiovasculares e cerebrovasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido; anemia falciforme; câncer; e obesidade grave, com Índice de Massa Corporal igual ou maior que 40 (IMC≥40).

Quantas pessoas serão vacinadas nestas três fases?

A estimativa é de 1,75 milhão de pessoas.

E o resto da população?

Será vacinada após essas fases, em cronograma ainda a ser definido pelo Ministério da Saúde.

Quem vai aplicar as vacinas?

Isso cabe à prefeitura de cada município. Mas o Governo do Estado também capacitou 60 apoiadores, dentre eles, profissionais da Força Estadual de Saúde (Fesma), técnicos da Vigilância Epidemiológica e Atenção Primária Estadual, que ajudarão os municípios a executarem a campanha.

A vacina tem contraindicações?

A vacina não é indicada para pessoas com menos de 18 anos, gestantes e quem tenha reação anafilática confirmada a qualquer componente da vacina.

Como será a vacinação de acamados e pessoas com dificuldade de locomoção?

A equipe de saúde de cada município definirá a estratégia para a vacinação dessas pessoas. 

Com a vacinação, posso parar de usar máscaras?

Não. A máscara, o distanciamento e a higiene das mãos continuam fundamentais para o combate à doença. Isso tudo só será deixado de lado quando toda a população estiver vacinada.

CTB e FITMETAL: Todo apoio aos metalúrgicos e às metalúrgicas da Ford!


A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e a FITMETAL (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil) repudiam a decisão unilateral da Ford, anunciada nesta segunda-feira (11/01), de fechar suas três fábricas no País. Em duas dessas plantas, Camaçari (BA) e Taubaté (SP), a produção será interrompida já nesta terça (12), com a demissão imediata e irresponsável de milhares de trabalhadores em plena pandemia de Covid-19.

As justificativas usadas pela direção da Ford não levam em conta os bilionários recursos que a montadora recebeu, na forma de renúncia fiscal, em especial no complexo de Camaçari. Ainda que governos como os de Michel Temer e Jair Bolsonaro não tenham investido à altura na indústria, levantamento da Receita Federal estima que os incentivos para a Ford, entre 1999 e 2020, foram de aproximadamente R$ 20 bilhões.

O Brasil tem um dos maiores mercados consumidores de automóveis no mundo. As próprias entidades patronais, como a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e a Fenabrave (Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores) reconheceram que a queda em vendas decorrente da pandemia ficou abaixo do previsto.

É lamentável que Bolsonaro, em especial, se cale e se omita diante de mais um retrocesso para a indústria brasileira. Mas, infelizmente, é cada vez menos surpreendente que uma empresa do porte da Ford prefira manter seus negócios em países de economia de menor porte, como a Argentina e o Uruguai, transferido para lá empregos qualificados e decentes.

Além dos trabalhadores – os mais afetados com a acelerada desindustrialização do País –, uma saída para crises como a da Ford deve envolver o Poder Público (governos federal, estadual e municipal), o setor automotivo e outros segmentos industriais. As direções da CTB e da FITMETAL darão apoio às entidades sindicais envolvidas com as bases da Ford, em especial o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, que já convocou uma agenda de lutas em defesa da preservação do emprego. Só na Bahia, o complexo Ford gera 12 mil empregos, sendo 8 mil na fábrica e outros 4 mil no setor de autopeças, além de dezenas de milhares de empregos indiretos.

Todo apoio aos trabalhadores e às trabalhadoras da Ford e do complexo automotivo, bem como a seus sindicatos, nesta batalha em defesa da vida, do emprego e dos direitos!

Adilson Araújo
Presidente da CTB

Marcelino da Rocha
Presidente da FITMETAL

Movimento Sindical: uma grande pauta e 6 diretrizes

Marcos Verlaine, do DIAP

A pauta sindical — que precisa começar a ser executada desde já, estende-se até 2022 —, pode ser composta de 6 grandes pontos ou diretrizes. Destas, 5 (estão) passam pelo Congresso: 1) reformas Administrativa; 2) Tributária; 3) Sindical; 4) Trabalhista; 5) Auxílio Emergencial; e 6) Eleições 2022. Acrescente-se a Comunicação Sindical, sem a qual as organizações laborais ficariam ainda mais isoladas no plano da comunicação de massa (sindical). Sobre este ponto há breve e crítico tópico.

O objetivo é contribuir com o debate nas centrais e nos sindicatos sobre a pauta das entidades para este ano, conforme o excelente e orientador artigo Os desafios para o novo ano1, dos presidentes das centrais sindicais, publicado na Folha de S.Paulo, em 31 de dezembro.

A ideia é tentar fazer uma tradução dessa pauta, cujo propósito é simplificá-la e pontuá-la para que o conjunto do sindicalismo, em nível nacional, navegue como uma frota e mesma direção. Segue a sugestão, com as respectivas considerações.

Reforma Administrativa e “Plano Brasil Mais”
Suscintamente, a PEC 32/20, do governo Bolsonaro, é a “reforma trabalhista”, bem piorada, para os trabalhadores públicos. A proposta, em discussão na Câmara, reduz drasticamente o papel e o tamanho do Estado brasileiro2. Há ainda as proposições (PEC 186, 187 e 188, de 2019) apelidadas de “Plano Mais Brasil”, que preconizam profundo ajuste fiscal; e “perseguem única e exclusivamente o lado da despesa”3. Estão em discussão no Senado.

A aprovação dessas pelo Congresso vai prejudicar os chamados servidores públicos e também os demais assalariados — bancários, comerciários, metalúrgicos, professores, autônomos, etc. —, enfim, todos que do trabalho vivem, pois demandam serviços públicos, que vão ser desmantelados, caso essas propostas sejam chanceladas pelo Legislativo. Portanto, achar que essas são problemas apenas do funcionalismo constitui-se num erro. O Movimento Sindical, como um todo, deve lutar contra mais essas mazelas neoliberais que visam retirar mais direitos do povo em geral e dos trabalhadores em particular.

Reforma Tributária
Há 2 propostas em discussão no Congresso. Uma na Câmara (PEC 45/19) e outra no Senado (PEC 100/19)4. Ambas têm o propósito de tentar simplificar e tornar menos oneroso o recolhimento dos tributos, do ponto de vista da burocracia e do tempo necessário para gerir essas obrigações tributárias.

Também propõem a substituição dos principais tributos de produtos e serviços. São propostas complexas, que o Movimento Sindical precisa acompanhar e interferir no processo legislativo, pois afeta o desenvolvimento do País e das relações de trabalho5. Foi criada comissão mista, cujo relator é o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), para construir texto único negociado entre ambas as propostas e casas legislativas.

Reforma Sindical
A estrutura sindical e sua organização envelheceram. É preciso enfrentar essa realidade. Cabe ao Movimento Sindical buscar e encontrar a forma mais adequada de organizar e estruturar os trabalhadores para mais bem representar. Sem sindicalismo, o processo civilizatório fica mais lento. Daí a relevância de o Movimento se ressignificar para se fortalecer e recuperar o protagonismo que tinha em outros tempos.

Essa relevância foi recentemente reverberada na prática. A 10ª Vara da Fazenda Pública da capital paulista suspendeu, na última sexta-feira (8), a eficácia de artigos de lei e decreto do município de São Paulo que retiravam a isenção tarifária6 a idosos com idade igual ou superior a 60 anos nas linhas urbanas de ônibus. A ação vitoriosa na Justiça foi proposta pelo Sindicato Nacional dos Aposentados, a CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos) e o Sindicato dos Metalúrgicas de São Paulo e Mogi das Cruzes7. Mas, infelizmente, essa vitória não é a rotina das entidades sindicais, sobretudo após a vigência da Reforma Trabalhista.

Grosso modo, a atual estrutura padece de males semelhantes aos da chamada democracia representativa, com os representantes cada vez mais distantes dos representados. Isso também se deve às mudanças tecnológicas no mundo do trabalho que promete eliminar profissões e postos de trabalho nos países em desenvolvimento e com industrialização precária, defasada ou atrasada8, como é o caso do Brasil. A PEC 196/19, do deputado Marcelo Ramos (PL-AM) é a possibilidade de iniciar esse debate, a fim de que os inimigos do Movimento Sindical não a faça antes. Mas claro, esses com intuito de desmontar os já combalidos alicerces da organização dos assalariados, tanto da iniciativa privada, quanto do funcionalismo9.

É provável que neste ano, o governo invista de forma mais incisiva e organizada sobre esse tema. Assim, ou o Movimento Sindical faz a sua reforma ou o governo a fará. Mas para destruí-lo. Aguardar “para ver como fica” não será a tática mais acertada. A inércia nesse debate não vai ser perdoada.

Revogação da Reforma Trabalhista

Após 3 anos de vigência da Lei 13.467/17, a Reforma Trabalhista não cumpriu o que seus defensores prometeram — mais empregos e novos postos de trabalho10. Ao contrário. E ainda eliminou diversos direitos11 e fragilizou os sindicatos. O discurso do governo Temer e o dos empresários era mentiroso.

O melhor cenário para resolver as mazelas que a RT aprofundou nas relações de trabalho seria revogá-la. Mas reconhece-se que a correlação de forças política no Congresso e na sociedade no não permite esta investida. Todavia, não se pode naturalizá-la como se fosse algo posto e acabado.

Assim, objetivamente, é preciso ir alterando seus pontos mais sensíveis, como o fim da homologação nos sindicatos e o contrato intermitente de trabalho. Para isto, já há suficiente massa crítica para propor essas alterações, a fim de, pelo menos, melhorá-la nesses aspectos.

Auxílio Emergencial

O auxílio impactou de forma muito positiva o consumo das famílias e aqueceu, sobretudo, o comércio de alimentos12. Essa ajuda foi a responsável para evitar a calamidade que estava projetada, inclusive por organismos internacionais. Sem o auxílio, extinto pelo governo em dezembro, milhões de trabalhadores correm o risco de sobreviver sob extrema pobreza13.

Entretanto, com a continuidade da pandemia, o Congresso precisa renová-lo, para evitar uma catástrofe social14, que pode acontecer com o encerramento da ajuda financeira.

Essa agenda extrapola as fronteiras sindicais e, por isso, o sindicalismo e o Congresso precisam capitalizar essa iniciativa. Diferentemente do que fizeram em 2020, quando Bolsonaro recebeu todos os louros pelos bons resultados, cuja decisão foi do Legislativo, por pressão sindical. Bolsonaro e Paulo Guedes (Economia) eram contra, depois sinalizaram com valor de apenas R$ 200 e sequer encaminharam medida provisória para agilizar os recursos e o pagamento.

Eleições 2022

Mais uma vez, o sindicalismo é convocado a intervir no processo eleitoral, como há muito não faz. As eleições daqui a 2 anos terão significado mais relevante e transcendental, para o bem ou para o mal. Para o bem, porque significa a possibilidade de derrotar o presidente Jair Bolsonaro e eleger novo Congresso, mais comprometido com mudanças na estrutura social do País. Para o mal, é o oposto, isto é, reeleger o atual presidente e manter no Legislativo essa maioria neoliberal-fiscal eleita em 2018, na esteira do bolsonarismo, com tudo que isso representa em termos de retrocessos sociais. Como foi a aprovação, entre outras, da Reforma da Previdência (EC 103), em 2019.

Desse modo, o Movimento Sindical necessita desenvolver outra atitude diante dessa agenda, que já está colocada. Precisa ser proativo; precisa definir desde já candidaturas e atuar para entrar na disputa para ganhar e não apenas fazer coadjuvâncias. Significa dizer, que quem pretende lançar-se nessa empreitada necessita organizar recursos materiais e financeiros já; mapear apoios de líderes e muito mais. O tempo escasseia mais rápido para quem não tem dinheiro. Assim, é necessário tomar medidas para superar as dificuldades estruturais, que, em geral, comprometem mais os anônimos e os pobres.

Comunicadores Sindicais

A estrutura sindical precisa se revitalizar no aspecto de sua comunicação. A pandemia mostrou que havia e há grande atraso em relação, principalmente, aos meios digitais. Felizmente, as organizações laborais e seus dirigentes conseguiram manter algum nível de mobilização e comunicação em meio à crise da Covid-19. Mas é preciso mais. Muito mais!

Inicialmente, é necessário valorizar os profissionais da área. Sem esses, não há mediação (profissional) entre as direções das entidades e suas respectivas bases. Pegue-se como exemplo as grandes empresas de mídia do País. Essas fazem grandes investimentos e só contratam os melhores profissionais das muitas áreas que envolvem esse relevante segmento. Porque comunicação é relevante e estratégica e não se faz sem os profissionais da área!

Comunicação é uma “ferramenta” que organiza e “faz cabeças”15. A comunicação de massa abastece com informações a chamada indústria cultural16 (uma está contida na outra), que por sua vez dissemina as ideias e informações da classe dominante. Aí reside também a batalha das ideias, em que cotidianamente o Movimento Sindical toma aquela goleada de 7 a 1. Esta constatação não é uma crítica que se faz com satisfação. Mas é preciso enfrentar esta deficiência com altivez e de forma propositiva.

Sem esses, como é a realidade de muitas entidades sindicais ou profissionais desvalorizados, como em geral são no meio sindical, o movimento terá mais dificuldades para desempenhar o necessário protagonismo diante dos imensos desafios que têm, agora e mais adiante.

A pauta e o debate estão lançados. Com a palavra todos que atuam no Movimento Sindical!

(*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar licenciado do Diap
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NOTAS

1 DIAP | Os desafios para o novo ano - https://bit.ly/3nC1W0g

2 DIAP | Reforma Administrativa: desregulamentação de direitos e regulamentação de restrições - https://bit.ly/38CUfD7

3 DIAP | O plano “Mais Brasil” e os serviços e servidores públicos - https://bit.ly/2K9tD36

4 Agência Brasil/DIAP | Propostas de reforma tributária acabam com a guerra fiscal - https://bit.ly/3qd7mko - acesso em 11/01/21

5 Instituto Startups | Como a reforma tributária pode afetar o trabalho das empresas no futuro? https://bit.ly/3bwQGQr - acesso em 11/01/21

6 Diário do Transporte | Gratuidade para idosos entre 60 e 65 anos é cancelada por Doria e Covas no transporte coletivo da capital e região metropolitana - https://bit.ly/3oDJDZY - acesso em 11/01/21

7 Agência Brasil | SP: Justiça mantém transporte gratuito para idosos a partir de 60 anos - https://bit.ly/35sxDTN - acesso em 11/01/21

8 DIAP | Indústria 4.0: os empresários estão pensando no futuro. E nós? - https://bit.ly/2LgHyVL

9 DIAP | Reforma Sindical reapresentada na Câmara; PEC 196/19 - https://bit.ly/2XyFhaU

10 Conjur/DIAP | ‘Reforma trabalhista cria exclusão dentro da inclusão’ - https://bit.ly/3qd1TK8

11 DIAP | Reforma Trabalhista: 12 direitos suprimidos na CLT; saiba quais - https://bit.ly/3scos3H

12 DW Notícias | Auxílio emergencial reduz impacto da pandemia na economia - https://bit.ly/39jKbhk - acesso em 11/01/21

13 Portal Vermelho | Sem auxílio, Bolsonaro joga até 3,4 milhões de brasileiros na miséria - https://bit.ly/2XzRU5v - acesso em 11/01/21

14 Estado de Minas - Economia | Fim do auxílio emergencial deixa rastro de desamparo - https://bit.ly/3nz01tp - acesso em 11/01/21

15 Blog do Enem | Indústria Cultural e os Meios de Comunicação de Massa - https://bit.ly/2LLNNQX - acesso em 11/01/21

16 O principal conceito sociológico que dá conta dos meios de comunicação é o de indústria cultural, que busca compreender a forma de produção da cultura de massa nas sociedades capitalistas.

Excesso de trabalho e pandemia podem desencadear Síndrome de Burnout


A sobrecarga de trabalho e o esgotamento devido a essa sobrecarga, que pode desencadear a Síndrome de Burnout, estão chamando a atenção dos profissionais da área médica do trabalho. Eles indicam a necessidade de maior atenção para os sintomas durante o período de tensão e fadiga provocado pela pandemia de covid-19, que trouxe a necessidade de manter o isolamento social pelo máximo de tempo possível.

Burnout é um transtorno psíquico de caráter depressivo, com sintomas parecidos com os do estresse, da ansiedade e da síndrome do pânico, mas no qual o especialista percebe a associação com a vida profissional da pessoa. A síndrome, que foi incluída na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, em uma lista que entrará em vigor em 2022, se não tratada pode evoluir para doenças físicas, como doença coronariana, hipertensão, problemas gastrointestinais, depressão profunda e alcoolismo.

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou o impacto da pandemia e do isolamento social na saúde mental de trabalhadores essenciais, mostrou que sintomas de ansiedade e depressão afetam 47,3% desses trabalhadores durante a pandemia, no Brasil e na Espanha. Mais da metade deles (e 27,4% do total de entrevistados) sofre de ansiedade e depressão ao mesmo tempo. Além disso, 44,3% têm abusado de bebidas alcoólicas; 42,9% sofreram mudanças nos hábitos de sono; e 30,9% foram diagnosticados ou se tratou de doenças mentais no ano anterior.

Segundo a OMS, no Brasil, 11,5 milhões de pessoas sofrem com depressão e até 2030 essa será a doença mais comum no país. A Síndrome de Burnout ou esgotamento profissional também vem crescendo como um problema a ser enfrentado pelas empresas e, de acordo com um estudo realizado em 2019, cerca de 20 mil brasileiros pediram afastamento médico no ano por doenças mentais relacionadas ao trabalho.

“A pandemia tem sido muito prejudicial a toda a sociedade e os trabalhadores têm sofrido grande parte desses impactos. Por isso, agir e minimizar esse cenário é também uma responsabilidade das empresas, pois cabe a elas fomentar a saúde, segurança e qualidade de vida das suas equipes. O emocional das pessoas tem sido fortemente abalado pelo isolamento social, as incertezas do futuro, a pressão para alcançar resultados, as dificuldades do trabalho remoto, entre outros pontos”, disse o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (Abresst), médico e gestor em saúde, Ricardo Pacheco.

Segundo ele, o assunto tem merecido tanta atenção que em março desse ano a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu os impactos da pandemia na saúde mental e publicou um documento desenvolvido pelo Departamento de Saúde Mental, com mensagens de apoio e bem-estar de diferentes grupos-alvo.

“O intuito dessa ação foi promover o cuidado psicológico com a população mundial. Além das mensagens para as pessoas em geral, o documento contém uma sessão voltada aos trabalhadores. Isso acontece porque as relações profissionais foram muito afetadas pela covid-19, gerando, além das incertezas com a estabilidade do trabalho, a insegurança para sair de casa e trabalhar, ou mesmo a dificuldade para conciliar a quarentena em família e o home office”, disse Pacheco.

Uma das medidas importantes para prevenir a Síndrome de Burnout, de acordo com o médico, é a implantação de adequações para que o chamado novo normal funcione tanto agora quanto depois da pandemia. Para ele é extremamente necessário que a saúde mental dos trabalhadores seja um dos itens de maior atenção por parte das empresas, incluindo o treinamento dos líderes e a criação de novas ações para diminuir os problemas emocionais da equipe, além de acompanhar de perto a saúde de cada funcionário.

A gestora de benefícios, Patrícia Mota Mendes Luiz Santos, está em tratamento depois de ser diagnosticada com a síndrome. Os sintomas começaram com dores de cabeça constantes até que um dia ela foi dormir e acordou com a dor. Ao chegar no trabalho, sentiu uma dor mais forte e avisou uma colega sobre não estar bem.

“Parecia que estava num lugar estranho, as coisas e o meu raciocínio começaram a ficar lentos. De repente me deu uma crise de choro e pânico, um desespero. Adormeceram as minhas mãos, um lado do rosto e eu pensei que estava enfartando. Me paralisou um lado do corpo. Fui levada ao pronto-socorro, mas não havia alterações e depois disso fui diagnosticada com Burnout”.

A partir de então Patrícia, que se auto pressionava para ser excelente em tudo, precisou aprender a “colocar o pé no freio” e a lidar com um ritmo de vida mais vagaroso sem ficar ansiosa por resolver tudo no mesmo dia. “O ponto inicial de tudo é a aceitação. Saber que naquele momento eu estou naquela situação e não sou aquilo. Por isso a terapia é fundamental. Os remédios ajudam, mas quem realmente tira da crise é a terapia”.

Atualmente ela não toma mais medicamentos porque aprendeu a se controlar com muita terapia e autoconhecimento. “Eu acho que isso não tem cura, mas temos o controle e o entendimento de que precisamos nos dar o tempo necessário e que não conseguimos ser 100% em tudo, principalmente nós que somos mulheres. E a mulher tende a se cobrar muito nesse sentido, achando que tem que ser perfeita em todos os setores da vida e aí acontecem os acúmulos que desencadeiam nas síndromes”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

Sem reajuste real, Bolsonaro anuncia mais um salário mínimo


Pelo segundo ano seguido, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um novo salário mínimo sem reajuste real – ou seja, sem aumento além da correção inflacionária. A partir desta sexta-feira, 1º de janeiro, uma medida provisória deve elevar o mínimo nacional passará de R$ 1.045 para R$ 1.100.

O valor foi calculado com base na inflação medida pelo IBGE, por meio do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de janeiro a dezembro, acrescido da estimativa coletada no mercado pelo Banco Central para o INPC em dezembro. A previsão do governo é que a inflação feche em 5,22% neste ano de 2020 – o que levaria o mínimo a R$ 1.099,55. O valor foi arredondado, então, para R$ 1.100, num reajuste de 5,26% em relação ao piso atual, garantindo tão-somente a reposição do INPC.

Segundo o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, o valor pode ser alterado, caso o INPC seja maior que o previsto. O resultado oficial será publicado no início de janeiro.

O salário mínimo corresponde ao piso salarial de todos os trabalhadores, do setor público e da iniciativa privada. Vale também para aposentados e pensionistas – a maior parte das aposentadorias do INSS está atrelada ao mínimo. Cada R$ 1 a mais no piso nacional representa um aumento global de R$ 351,1 milhões nas despesas federais – daí seu impacto na atividade econômica.

Na prática, a gestão Bolsonaro encerrou a bem-sucedida política de valorização do salário mínimo, iniciada durante o governo Lula (2003-2010). Anualmente, ao reajustar o mínimo, Lula se baseava não só na inflação medida pelo INPC – mas também na variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. A gestão Dilma Rousseff (2011-2016) transformou a regra em lei, consolidando um ciclo recorde de reajustes reais.

Fonte: Portal Vermelho com informações do Globo e da Folha

10 razões pelas quais você deve ser vacinado



Se você está entre aqueles que estão hesitantes em receber uma vacina para Covid-19 – ou se está se perguntando por que as vacinas são consideradas uma das maiores conquistas da humanidade – aqui estão 10 razões pelas quais você deve considerar a vacinação

Várias vacinas foram autorizadas para uso no mundo, o que significa que milhões de doses de vacina podem agora ser administradas. Isso irá acelerar o progresso no sentido de alcançar imunidade generalizada ao coronavírus.

No entanto, desde o início da pandemia – e particularmente desde que as vacinas para Covid-19 começaram a ser desenvolvidas – muitas pessoas expressaram preocupações sobre sua segurança e eficácia.

Se você está entre aqueles que estão hesitantes em receber uma vacina para Covid-19 – ou se está se perguntando por que as vacinas são consideradas uma das maiores conquistas da humanidade – aqui estão 10 razões pelas quais você deve considerar a vacinação

1. Porque as vacinas salvam vidas


As coisas evoluíram muito desde que Edward Jenner vacinou pela primeira vez um menino contra a varíola em 1796. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a vacinação atualmente evita de 2 a 3 milhões de mortes a cada ano.

A varíola, que ceifou aproximadamente 300 milhões de vidas apenas no século 20, foi totalmente erradicada graças ao desenvolvimento e implementação de vacinas seguras e eficazes.


Para algumas pessoas hoje, a Covid-19 também se mostra fatal. Se você está sob alto risco de contrair a doença, a vacinação pode salvar sua vida.

2. Para proteger sua saúde

As vacinas também nos protegem de muitas doenças debilitantes.

Antes do desenvolvimento das vacinas Salk e Sabin contra a poliomielite, era comum ver imagens dramáticas de pessoas usando pulmões de ferro ou crianças paralisadas. Mas nas últimas três décadas, as vacinas levaram a uma redução de 99,9% nos casos de pólio.

A Covid-19 também pode ter efeitos duradouros na saúde. As vacinas também o protegerão contra isso.

3. Para proteger e apoiar os serviços de saúde

Ser vacinado quando criança significa que você tem menos probabilidade de contrair doenças infecciosas ao longo da vida. Isso alivia a pressão sobre a equipe do serviço de saúde, que pode então dedicar seus esforços, recursos e equipamentos para ajudar pacientes com doenças não evitáveis.

Ser vacinado contra Covid-19 ajudará exatamente da mesma maneira – liberando recursos, reduzindo o número de casos e evitando mais acúmulos de outros tratamentos.

4. Para proteger os vulneráveis



Quando um número suficiente de pessoas é vacinado contra uma doença infecciosa como a Covid-19, a disseminação da doença pode ser efetivamente interrompida, pois há muito poucas pessoas para infectar. Isso é conhecido como imunidade de rebanho.

Alcançar a imunidade coletiva significa que mesmo aqueles que não podem receber a vacinação (por exemplo, devido a doenças pré-existentes) estão protegidos.

5. Porque elas são rigorosamente testados

As vacinas são testadas em longos e grandes ensaios clínicos que envolvem dezenas de milhares de pessoas e seus efeitos são monitorados mesmo depois de serem aprovados. A maneira completa como as vacinas são desenvolvidas significa que são muito mais seguras e têm menos efeitos colaterais do que a maioria dos medicamentos existentes.


As vacinas para Covid-19 estão sendo testadas da mesma forma que as vacinas para outras doenças. Elas foram desenvolvidas rapidamente graças à redução da burocracia, não porque os testes de segurança tenham sido menos minuciosos.

6. Para economizar tempo e dinheiro

As vacinas foram amplamente reconhecidas como uma das intervenções médicas mais eficazes em termos de tempo e custo que você pode ter. A vacinação demora apenas alguns minutos e é muito barata (ou, para muitas pessoas, gratuita).

Por outro lado, contrair uma doença infecciosa significa tirar uma folga da escola ou do trabalho e, potencialmente, acumular pesadas contas médicas.

7. Ser capaz de viajar com segurança


Viajar para outros países expõe você a patógenos com os quais seu sistema imunológico não está familiarizado. Ao receber as vacinas recomendadas para o seu destino, você poderá aproveitar suas férias sem arriscar uma visita de emergência a um hospital local ou trazer de volta micro-organismos indesejados.

Da mesma forma, manter-se atualizado com o calendário de vacinação recomendado protege os habitantes do seu destino de férias de quaisquer infecções que você possa carregar consigo. Por esse motivo, as vacinas para Covid-19 podem se tornar obrigatórias para viagens à medida que são lançadas.

8. Para limitar a resistência aos medicamentos

A resistência antimicrobiana foi identificada pela OMS como uma das 10 maiores ameaças à saúde global (assim como a hesitação vacinal). O uso excessivo contínuo de antibióticos e antivirais faz com que bactérias e vírus se tornem resistentes a eles, resultando na disseminação de infecções intratáveis.

Ao evitar que fiquemos infectados, a vacinação nos permite reduzir o uso de antibióticos e antivirais, limitando, portanto, a insurgência de cepas de bactérias e vírus resistentes a medicamentos.

9. Para proteger as gerações futuras

Ao longo da história, a humanidade teve que coexistir com muitas doenças debilitantes e potencialmente fatais que agora são muito raras graças aos programas de vacinação infantil.

No entanto, a pandemia fornece um exemplo dramático do efeito global devastador que uma única doença pode ter na ausência de uma vacina. Imunizar a nós mesmos e a nossos filhos contra doenças infecciosas hoje é um presente inestimável para as gerações futuras. Suprimir as doenças no presente permitirá que as pessoas no futuro vivam mais e com mais saúde.

10. Para evitar a propagação de notícias falsas

Pesquisas mostram que notícias falsas se espalham muito mais rápido e mais longe do que informações verdadeiras. Nas últimas décadas, as teorias da conspiração e a desinformação corroeram a confiança do público nas vacinas, levando ao ressurgimento de doenças quase erradicadas em muitos países.

Ao seguir a orientação baseada em evidências da comunidade científica e médica, você não está apenas protegendo a si mesmo e aos seus entes queridos de doenças infecciosas, mas também dando um exemplo que ajuda a lutar contra a difusão de informações incorretas.

Alessandro Siani é chefe associado (alunos), Escola de Ciências Biológicas, Universidade de Portsmouth

Economia brasileira deve crescer abaixo da média mundial em 2021


Mesmo após uma recessão recorde, a economia brasileira terá um crescimento relativamente pífio em 2021, abaixo da média mundial. Internamente, o mercado financeiro já reduziu de 3,49% para 3,40% a expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, conforme o 1º Boletim Focus de 2021, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central. A instituição também estima que, em 2020, o Brasil deva registrar uma retração econômica de 4,36%.

Instituições financeiras consultadas pelo Poder360 indicam que o País vai se recuperar apenas parcialmente da recessão do ano passo, em mais uma decepção à vista. Segundo essas instituições, os próximos meses ainda são cheios de incertezas, e a economia brasileira ainda vive a pior crise da sua história.

Como a saída depende de uma forte campanha de vacinação contra o coronavírus – que ainda não começou –, o Brasil terá uma recuperação mais lenta do que a dos demais países. O governo Jair Bolsonaro afirma que o início da imunização pode ficar até para depois de 10 de fevereiro – mas a negligência e a incompetência de pastas como o Ministério da Saúde bolsonarista devem agravar a situação.



Os prognósticos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para a economia brasileira são de uma recessão de 5% em 2020 e crescimento de somente 2,6% em 2021. Já o Fundo Monetário Internacional estima alta de 2,8% para este ano. A PwC vê 2,9%. A agência de classificação de risco Fitch Ratings é mais otimista: avanço de 3,1% em 2021. Se concretizado, o aumento do PIB recupera o volume perdido na pandemia de Covid-19. Mas o crescimento brasileiro pode ficar abaixo da média global e atpe da América Latina.

No G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), os asiáticos devem se destacar. A Índia – que deve ter fechado 2020 com queda do PIB superior a 9% – pode acabar 2021 com um crescimento de 7,9% a 11%. A China, epicentro do coronavírus, deve subir mais de 8%. Juntos, esses 2 países têm cerca de 3 bilhões de habitantes.

“O mundo está para lá, na Ásia – e o crescimento também. Há centenas de milhões de pessoas ascendendo para um nível de consumo na Índia e na China”, disse Bruno Porto, sócio da empresa de consultoria e auditoria PwC. “Quando a gente olha para o Brasil, com 210 milhões de pessoas, a gente está atrás. É um local secundário para investimentos.”


O desemprego deve igualmente piorar no País. A desocupação está no recorde histórico, com 14 milhões de desempregados (14,4%). Com o fim do auxílio emergencial, brasileiros desamparados tendem a procurar postos de trabalho e reaparecerão nas estatísticas.

Além disso, com Bolsonaro e a pandemia, a dívida pública disparou. Nas contas do Tesouro Nacional, o País terminará o ano com dívida equivalente a 93% do PIB, uns dos maiores patamares entre os emergentes. Em 2019, eram 74%.

Fonte: Com informações do Poder360

Belluzzo: ‘sem auxílio emergencial economia em 2021 terá danos consideráveis’


A pandemia do
 novo coronavírus provocou o rompimento de todo o circuito de formação de renda e as perspectivas para a economia do país em 2021 não são animadoras. Em 2020, as empresas pararam de produzir, o comércio fechou e o desemprego atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, o real sofreu forte desvalorização frente ao dólar. Com o desmantelamento dos estoques reguladores, houve um “choque de oferta” na produção agrícola, que resultou no aumento da inflação dos alimentos.

Segundo o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a atuação do governo foi “muito frágil” para contrabalançar os efeitos econômicos da pandemia. A exceção foi o auxílio emergencial, iniciativa do Congresso Nacional.

Agora com o avanço da segunda onda da doença e o fim do auxílio, as perspectivas para o próximo ano não são nem um pouco otimistas. “Sobre 2021, diria que o recrudescimento da pandemia e o corte do auxílio emergencial vão causar danos consideráveis à economia”, afirmou.

Em entrevista a Maria Teresa Cruz, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (28), o economista criticou a visão fiscalista da equipe do ministro da economia, Paulo Guedes. A recuperação de 7,7% no terceiro trimestre, após tombo de 9,7% entre abril e junho – no auge da pandemia –, justificaria o fim do benefício. “Só que essa recuperação foi em função do auxílio. Se não tivéssemos o auxílio emergencial, não teria ocorrido nada”, afirmou Belluzzo.

Guedes “retrógrado”
Ele lembrou que, apesar dessa tímida recuperação em função do auxílio, os níveis de atividade econômica ainda se encontram em patamares inferiores a 2014. Além disso, mais do que o custo mensal de cerca de R$ 50 bilhões, é preciso considerar o efeito multiplicador no consumo e na recomposição parcial da renda das famílias.

Belluzzo afirmou, ainda, que Guedes e sua equipe são “retrógrados” e “ignoram” no debate econômico as ações adotadas no resto do mundo. Estados Unidos e Europa, por exemplo, têm ampliado o endividamento como forma de conter os efeitos da crise. Já no Brasil, Guedes e sua equipe apostam na “austeridade expansionista”, acreditando que o investimento privado virá a partir da contenção dos gastos públicos. “Você ouve Paulo Guedes falando e acha que ele está no tempo das cavernas. Ele é retrógrado”, classificou.

Assista à entrevista:

Flávio Dino: “Vida, saúde, paz e justiça em 2021”


Em publicação em suas redes sociais nesta quinta-feira (31), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) lembrou as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros em 2020 e desejou um 2021 com vida, saúde, paz e justiça.

“Finalizamos um ano sofrido e repleto de problemas. Essas datas especiais nos ajudam a olhar o futuro com mais esperança e com ânimo renovado. Desejo o melhor para todos que me dão a honra da companhia neste espaço. Vida, saúde, paz, justiça. Feliz 2021”, escreveu.

Dino também se manifestou hoje sobre decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta quarta (30) estendeu a vigência de dispositivos da lei n° 13.979/2020, que estabeleceu medidas sanitárias de combate à Covid-19.

À Folha de S.Paulo, ele disse que a decisão do ministro é “juridicamente correta” e “essencial para a concretização do direito à saúde durante a pandemia, que ainda subsiste”.

Chegamos a 2021 com a firme confiança de que será um ano de mais fraternidade, paz e progresso para o nosso estado e, quiçá, para o Brasil.

Em artigo publicado no Valor Econômico, a advogada, jornalista e repórter do jornal especializado em economia e política, Andrea Jubé, fala sobre a desenvoltura do governador do Maranhão a partir de sua eleição para presidir o consórcio Amazônia Legal. Leia abaixo a íntegra do artigo.

O indicado, além de ter omitido de seu currículo ao Senado que é presidente do diretório do DEM de Uberlândia, tampouco tem qualquer familiaridade com transportes.

Na esteira do grave drama social com a pandemia do novo coronavírus, a palavra de ordem para 2021 é incerteza. Tudo dependerá da acomodação política.


Pandemia desnudou tragédia do mundo do trabalho no Brasil em 2020


Por
Vanessa Nicolav

No ano em que o país foi assolado pela maior pandemia dos últimos tempos, o mundo do trabalho foi um dos mais impactados. Muitos setores tiveram que parar, trabalhadores foram afastados ou tiveram que trabalhar de casa devido aos riscos do novo vírus.

Porém, foram poucos os que tiveram esse benefício. Dos mais de 90 milhões de trabalhadores ativos no país, apenas 7,9 milhões trabalharam em suas casas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Covid). Destes, 879 mil deixaram de receber qualquer remuneração.

Para Ricardo Antunes, professor de sociologia do trabalho na Universidade Estadual de Campinas, a pandemia, na prática, deixou explícita as más condições de trabalho da maioria dos brasileiros e revelou os impactos da flexibilização dos direitos que vêm se acelerando desde a aprovação da reforma trabalhista em 2017.

“Embora não tenha sido a pandemia que causou essa tragédia no mundo do trabalho, ela pôs a nu a forma pela qual o capitalismo já vinha empurrando a classe trabalhadora para a flexibilização, a terceirização, a informalidade e intermitência”, afirma o sociólogo.

Mesmo ovacionados e considerados heróis da pandemia, os trabalhadores da saúde foram exemplo explícito da falta de amparo que a maioria dos postos de trabalho oferecem hoje no país.

Já em junho, relatos de diferentes partes do Brasil denunciaram a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) para o atendimento adequado nos hospitais e formas contratuais frágeis realizadas pelos hospitais de campanha.

“Vários hospitais de campanha fazem contrato sem nenhum direito trabalhista, você não tem nenhuma garantia se você adoecer, nenhuma garantia para sua família, tem muitas famílias que estão saindo das suas casas para não colocar suas famílias em risco”, denuncia Érika Fontana, médica que participou de manifestação por melhores condições de trabalho.

“A gente tá na linha de frente mas a gente não pode ser tratado como herói e simplesmente ter uma capa e resolve tudo. É preciso medidas governamentais”, completa Fontana.

Com o fechamento do comércio e lockdown decretado em alguns estados, os trabalhadores informais foram diretamente afetados. Eles, que representam cerca de 40 milhões de brasileiros, tiveram como alternativas serviços com alta demanda durante a pandemia, como é o caso dos entregadores de aplicativo.

Sem direitos trabalhistas, essa nova categoria se configurou como a marca do novo trabalho precarizado, informal, inseguro e subordinado ao sistema de produtividade digital. Em julho, após diminuição sucessiva dos valores repassados aos entregadores, a categoria saiu às ruas para denunciar a exploração contínua de aplicativos como Rappi, iFood e Uber Eats.

“Eles abusam dos entregadores. É taxa em cima de taxa. E a taxa vem baixando gradualmente. Toda semana que você vai ver no extrato da semana passada, está abaixo, sendo que eles cobram mais do cliente hoje do que antes da pandemia”, afirma Fábio Guarten, entregador de aplicativo que participou do breque dos entregadores, realizado em julho na capital paulista.

Em agosto foi a vez dos funcionários dos Correios realizarem greve para denunciar a perda de benefícios garantidos, falta de segurança durante a pandemia e o risco de privatização da estatal. Foram 35 dias de paralisação, que configurou a greve mais longa da categoria.

Com função central nesse cenário, a postura do governo Bolsonaro foi de incentivo à aprovação de leis que precarizaram ainda mais os direitos trabalhistas, como a medida provisória (MP) da liberdade econômica, que entrou em vigor neste ano, e a MP da carteira verde amarela, aprovada em abril.

O repasse de mais de 1 trilhão aos banqueiros e a exclusão de apoio aos pequenos comerciantes brasileiros explicitou o apoio presidencial aos grandes investidores, em detrimento dos trabalhadores.

Como resultado, o Brasil encerra o ano de 2020 com um saldo de mais de 14 milhões de desempregados no país. Durante a pandemia, mais de 9 milhões de postos de trabalho foram fechados.

Edição: Leandro Melito

Fonte: Brasil de Fato