Presidente da EBC, Antonia Pellegrino debate desafios do defeso e pergunta "Como dar conta da comunicação pública?

Presidente da EBC, Antonia Pellegrino

Existe um jornalismo que não serve ao governo nem ao mercado. Ele existe independente dos dois. E é este jornalismo – abrigado na comunicação pública - que escapa a diferentes análises e também ao entendimento mais recente do TSE.

Os instrumentos normativos que orientam o período de defeso eleitoral — como manuais, cartilhas e portarias elaborados com fundamento na Lei nº 9.504/1997, com fidelidade à compreensão vigente do tribunal sobre publicidade institucional, têm em vista a atuação de toda Administração direta e indireta, além de agentes públicos - mas não abrange as especificidades da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, cuja missão é entregar ao cidadão o seu direito de acesso à comunicação pública,

O artigo 223 da Constituição Federal de 1988 concede ao Poder Executivo a função de renovar concessão e permissão, bem como a autorização para o serviço de radiodifusão sonora e imagética, em observância ao princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.

O princípio da complementaridade garante, em tese, o equilíbrio entre os setores de comunicação privada, pública e estatal com funções, finalidades e fundamentos diferenciados. O elemento de diferenciação da radiodifusão pública é a sua independência editorial, posto que cabe a ela adotar comportamento crítico em relação ao governo e ao mercado. Ainda sob a ótica editorial, algumas características são determinantes para a comunicação pública, tais como universalidade e diversidade – gênero dos programas, público alcançado e temas discutidos.

Contudo, no pós-constituinte, houve poucas ações efetivas do Estado para romper com o “desequilíbrio” do modelo de radiodifusão brasileiro. Foi o Ministério da Cultura que, sob o comando do então Ministro Gilberto Gil e do Secretário-Executivo Juca Ferreira em parceria com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, propôs e realizou o I Fórum Nacional de TVs Públicas, em 2006, com o objetivo de traçar um panorama da situação das emissoras públicas.

Os documentos produzidos pelo grupo de trabalho forneceram elementos norteadores para um novo modelo de radiodifusão pública, observando as experiências de sistemas públicos adotados em outros países. O acúmulo de forças políticas e sociais engendrado pelo Fórum fez com que a prerrogativa constitucional do princípio da complementaridade fosse posta em movimento, a partir de 2007, durante o final do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que, em 2008, fosse então criada a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por meio da Lei 11.652/08.

Construção da cidadania, fortalecimento da democracia e participação da sociedade são os princípios da Constituição Federal que estabelecem os pilares para a atuação dos canais públicos federais, de acordo com a Lei 11.652/08. "A constituição de um sistema de comunicação com diretrizes voltadas à participação da sociedade civil e à inclusão social, entre outros objetivos, torna-se, dessa forma, um direito adquirido a ser garantido pelo Estado" (Carvalho; Buriti, 2012; Pieranti, 2020).

O arranjo legal possível diante da correlação de forças, à época, materializou a EBC como empresa de comunicação pública, mas também, como prestadora de serviços de comunicação do governo federal. A nova estatal foi fundada, portanto, para operar as emissoras de rádio e televisão federais, com objetivo de formar um “sistema público de comunicação” que complementasse o “sistema privado”, mas havia em seu bojo todo o sistema governamental. A solução fez com que a Empresa Brasil de Comunicação já nascesse tendo de dar conta de dois serviços de comunicação previstos na Constituição, a pública e a governamental.

Quase 19 anos depois, a confusão entre comunicação pública e governamental prossegue. No dia 04 de Julho de 2026 começou o período de defeso eleitoral no Brasil. Trata-se do momento que antecede as eleições, durante o qual a publicidade institucional está vedada para todos os órgãos da Administração Pública, com o intuito de produzir igualdade de oportunidades entre candidatas e candidatos.

A vedação à “publicidade institucional” nos três meses que antecedem o pleito é tratada como regra objetiva, aplicável a qualquer órgão ou entidade da administração direta ou indireta que identifique autoridades, governos ou administrações em disputa.

No entanto, apesar da EBC ser uma empresa estatal dependente, supervisionada pela Secretária de Comunicação Social da Presidência da República e financiada pelo Governo Federal, ela não se encaixa plenamente no entendimento. Há algo que escapa: a comunicação pública.

Comunicação pública não é jornalismo feito pelo Estado para falar bem do governo. Como já foi dito, é exatamente o contrário: é o jornalismo que existe apesar do governo e apesar do mercado. A ideia nasce do reconhecimento de que nem toda informação de interesse coletivo encontra espaço espontâneo na lógica comercial da mídia privada — que responde a audiência e ao anunciante — nem deveria ser produzida como propaganda de quem está no poder.

A pergunta, portanto, que atravessa a comunicação pública é: a serviço de quem a informação é produzida? Ora, a serviço do cidadão - e isso não é pouco em um ambiente digital inundado por mentiras e desinformação. O compromisso da comunicação pública é com a cidadania, a pluralidade e o fortalecimento democrático, com independência editorial inclusive em relação ao governo que a financia e ao seu órgão supervisor.

Nesse contexto, o desafio consiste em assegurar o equilíbrio entre a proteção da igualdade eleitoral e a preservação da liberdade de informação jornalística, especialmente no âmbito de uma empresa pública criada para prestar serviço de comunicação pública.

Não se busca afastar aqui a aplicação da Lei nº 9.504/1997, tampouco flexibilizar as restrições próprias do período eleitoral, mas garantir sua adequada interpretação à luz da atividade-fim da EBC, de modo a compatibilizar a necessária proteção da lisura do processo eleitoral com a continuidade da prestação de um serviço público essencial à sociedade.

Portanto, é preciso uma leitura própria a respeito da EBC. A jurisprudência do TSE já reconhece uma categoria diferente dentro dessa mesma regra geral — notícia com “conteúdo meramente informativo”, publicada por portal de órgão público, não configura publicidade institucional vedada; entrevista jornalística que relata atividade de governo, sem promoção pessoal, também não. Porém, em sua aplicação prática, os elementos que diferenciam informação jornalística de propaganda de gestão são sutis.

Diante da regra objetiva e da ausência de uma orientação própria ao jornalismo público, foi feita na Agência Brasil a opção pelo arquivamento de seu acervo dos últimos 3 anos e meio, durante o período do defeso — não porque os textos já publicados sejam propaganda de gestão, mas porque checar um a um, mais de 180 mil matérias, em busca de menções a autoridades em disputa ou termos que pudessem ser considerados publicidade, é humanamente inviável, além do que, a empresa não dispõe de ferramenta confiável para fazer essa verificação sutil em escala.

E é aqui que está a lacuna, mais do que o erro: falta à regra geral um capítulo específico para a radiodifusão pública. Aplicar à EBC o mesmo teste que se aplica à assessoria de imprensa de um ministério — na ausência de uma orientação que reconheça essa diferença de natureza — acaba, na prática, tratando como equivalentes duas coisas que a própria Constituição concebeu como opostas.

Diante da falta de clareza sobre o papel da comunicação pública, não coube à EBC um ato de desobediência civil na chegada do defeso, mas cabe à empresa reivindicar sua especificidade através de um pedido de autorização judicial no TSE para que a Agência Brasil possa desarquivar milhares de matérias ocultadas.

Em um ambiente de desinformação e proliferação de mentiras, criar oportunidades iguais entre candidatas e candidatos, também é permitir que os cidadãos possam fazer suas escolhas baseado em informações verificadas, confiáveis e de interesse público.

Portanto, o paradoxo imposto pela legislação eleitoral fica evidente. Quanto mais a sociedade precisa de informação confiável durante uma eleição, mais difícil se torna garantir que a comunicação pública continue exercendo plenamente sua missão. Resolver esse impasse interessa à EBC, mas interessa sobretudo ao direito dos cidadãos e cidadãs à informação.

LEIA! Marcos Verlaine, do DIAP, escreve que "A IA ainda não destrói empregos. Apenas começou pelos jovens"


Marcos Verlaine, do DIAP*

Este é o primeiro aviso da revolução silenciosa que caminha a passos largos sobre os empregos. Primeiro dificulta o ingresso dos jovens no mercado de trabalho. Trata-se de pauta que o movimento sindical precisa debruçar-se e pedir estudos ao Dieese, Ipea e Unicamp/Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho).

Há uma velha máxima da economia segundo a qual as grandes transformações não chegam fazendo barulho. Essas começam discretamente, alterando margens, deslocando prioridades e modificando comportamentos até que, de repente, tudo mudou. Atenção para aquilo que interessa às futuras gerações.

É exatamente isso que revela o mais recente relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre o mercado de trabalho1.

Os números parecem tranquilizadores. O desemprego permanece em níveis historicamente baixos entre os 38 países que compõem a organização. O emprego continua crescendo. Não há evidências, até agora, de substituição em massa de trabalhadores pela IA.

Mas essa é apenas a superfície.

A verdadeira notícia está escondida nas entrelinhas do relatório: a entrada dos jovens no mercado de trabalho tornou-se significativamente mais difícil, e a própria OCDE reconhece que os avanços recentes da IA generativa2 provavelmente já fazem parte dessa explicação.

É o primeiro sintoma de doença que ainda está em incubação.

A porta de entrada começa a desaparecer

Toda revolução tecnológica modifica a forma de produzir. A diferença é que, desta vez, a tecnologia não está substituindo apenas força física ou tarefas repetitivas. Isso começa justamente pelas atividades tradicionalmente destinadas aos profissionais iniciantes.

Durante décadas, empresas contrataram jovens para executar pesquisas, produzir textos básicos, organizar documentos, atender clientes, elaborar planilhas, programar códigos simples, fazer traduções ou realizar análises preliminares.

Hoje, boa parte dessas tarefas pode ser realizada, em segundos, por sistemas de IA.

O resultado é perverso. Se antes essas funções serviam como escola prática para formar profissionais experientes, agora muitas simplesmente deixam de existir.

Sem o primeiro emprego, não há experiência. Sem experiência, não há progressão profissional. Forma-se círculo de exclusão que ameaça uma geração inteira.

Falsa sensação de segurança

Há quem veja o relatório da OCDE como demonstração de que os temores em torno da IA eram exagerados. É leitura apressada. Nenhuma grande transformação econômica produz todos os seus efeitos simultaneamente.

A eletrificação levou décadas para alterar profundamente a indústria. A informatização começou eliminando datilógrafos antes de transformar praticamente todos os setores econômicos.

A internet não destruiu empregos de imediato, mas redefiniu completamente o comércio, os serviços, a comunicação e a produção de conhecimento.

Com a inteligência artificial ocorre o mesmo. Primeiro aumenta a produtividade. Depois reorganiza processos. Em seguida reduz contratações. Só então substitui ocupações inteiras. Estamos apenas no início desse processo.

Diferença entre Europa e AL

Existe, porém, variável decisiva que costuma passar despercebida. Os países da OCDE possuem mercados de trabalho muito mais estruturados que os latino-americanos.

Dispõem de sistemas robustos de qualificação profissional, proteção social, negociação coletiva consolidada, maior capacidade de investimento em educação tecnológica e empresas com elevado nível de inovação.

Mesmo assim, os jovens já encontram mais dificuldades para ingressar no mercado.

A pergunta inevitável é: o que acontecerá quando essa mesma transformação atingir economias marcadas pela informalidade, pela baixa escolarização, pela precarização do trabalho e pela reduzida capacidade de requalificação profissional?

Na América Latina, a IA tende a encontrar terreno muito mais frágil. Milhões de trabalhadores sequer concluíram o ensino médio. Grande parte da população economicamente ativa sobrevive em ocupações informais.

As pequenas empresas possuem baixa capacidade tecnológica. Os sistemas públicos de qualificação profissional permanecem insuficientes. Em ambiente assim, a substituição de funções tende a produzir efeitos sociais muito mais intensos.

Risco da nova
exclusão tecnológica

Existe outro aspecto pouco debatido. A IA não elimina apenas postos de trabalho. Altera profundamente a distribuição das oportunidades. Quem domina tecnologia passa a produzir mais, ganhar mais e disputar vagas em melhores condições.

Quem não domina fica progressivamente deslocado. A desigualdade deixa de ser apenas econômica. Transforma-se em desigualdade tecnológica. E essa talvez seja a face mais preocupante da nova economia.

Não se trata apenas de perder empregos. Trata-se de perder capacidade de competir.

Desafio para
sindicatos e governos

Essa transformação impõe enorme desafio ao movimento sindical, às universidades e ao Estado. A agenda trabalhista do século 21, que está apenas no segundo decênio, já não pode limitar-se ao debate sobre salários, jornada ou direitos tradicionais. Embora todos continuem essenciais.

Será necessário incorporar nova dimensão: o direito permanente à requalificação profissional.

Isso significa investir massivamente em educação digital, formação continuada, alfabetização em IA e políticas públicas capazes de preparar trabalhadores para funções que ainda sequer existem.

Também será indispensável fortalecer a negociação coletiva para disciplinar a adoção da IA nas empresas, estabelecendo limites para substituições indiscriminadas, mecanismos de transparência algorítmica, proteção de dados dos trabalhadores e programas obrigatórios de requalificação sempre que novas tecnologias forem implementadas.

Sem esse equilíbrio, a inovação tende a ampliar a produtividade das empresas enquanto concentra renda e distribui insegurança.

O futuro começou e cobra antecipação

O relatório da OCDE não anuncia catástrofe. Mas tampouco autoriza a complacência.

Os primeiros sinais da IA sobre o emprego já apareceram exatamente onde as transformações costumam começar: na entrada do mercado de trabalho. Os jovens são os primeiros afetados.

Depois virão profissionais administrativos, analistas, técnicos, trabalhadores de serviços e, gradualmente, ocupações cada vez mais qualificadas.

A história econômica ensina que nenhuma revolução tecnológica foi interrompida por resistência política. Mas também demonstra que seus efeitos sociais dependem das escolhas feitas pelos governos e pela sociedade.

A inteligência artificial pode inaugurar era de prosperidade compartilhada ou aprofundar desigualdades inéditas. Na Europa, essa ainda produz apenas os primeiros sintomas.

Na América Latina, se governos, empresas e trabalhadores não começarem desde já a construir políticas de proteção, qualificação e regulação, a doença poderá chegar muito antes da cura.

(*) Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP

Portal DIAP
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1 https://www.oecd.org/en/publications/oecd-employment-outlook-2026_7e710f54-en.html - acesso em 11.6.26

2 IA generativa é um tipo de algoritmo projetado para criar conteúdos originais: textos, imagens, vídeos, áudios e códigos. Ao contrário das IA tradicionais, que apenas analisam dados, essa usa aprendizado de máquina para gerar resultados inéditos baseados nos padrões que aprendeu durante o treiname

Nova CTB Maranhão recebe Secretário-Geral da CTB Nacional, fortalece organização sindical e debate fim da escala 6x1

Secretário Geral Nacional da CTB Ronalfo Leite
e o Presidente da Nova CTB Maranhão Professor Fábio Orlan alinham diretrizes

A Nova CTB Maranhão recebeu a visita do secretário-geral da CTB Nacional, Ronaldo Leite, em um importante momento de diálogo e fortalecimento da atuação da Central no estado. O encontro discutiu o alinhamento das ações locais às diretrizes nacionais e ampliação da mobilização em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

Entre os principais temas debatidos esteve a campanha pelo fim da escala 6x1, pauta que vem ganhando força em todo o país e que busca garantir melhores condições de trabalho, mais qualidade de vida e valorização dos trabalhadores.


A reunião também reforçou o compromisso da Nova CTB Maranhão com a unidade do movimento sindical e com a construção de uma atuação cada vez mais articulada às orientações da CTB Nacional, fortalecendo as lutas em defesa do emprego, dos direitos trabalhistas e da democracia.

Para o presidente da Nova CTB Maranhão, Fábio Orlan, o encontro representa um passo importante para consolidar a atuação da Nova CTB.

"Receber o companheiro Ronaldo Leite é motivo de grande satisfação. Esse diálogo fortalece a nossa organização e reafirma o compromisso da Nova CTB Maranhão com as diretrizes da CTB Nacional. Saímos deste encontro ainda mais unidos para ampliar a mobilização dos trabalhadores maranhenses e defender pautas fundamentais, como o fim da escala 6x1, que representa mais dignidade, saúde e qualidade de vida para a classe trabalhadora", pontuou Fábio Orlan.

Festival da Comunicação Sindical e Popular será dia 24 de Julho, em São Paulo, e homenageia comunicador popular Vito Gianotti

Entusiasta da imprensa operária e sindical, onde atuou grande parte da vida, Vito ampliou seus ideais com a fundação do Núcleo Piratininga de Comunicação.


“Não há tema mais central em um momento de domínio das redes sociais pela direita, aliança de empresários com a extrema direita para retirar direitos dos trabalhadores e boa parte da população se voltando contra os ideais humanistas”. 

A afirmação foi feita pela coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação, a jornalista Claudia Santiago, numa referência ao V Festival da Comunicação Sindical e Popular, no dia 24 de julho, na praça da Cinelândia, organizado pelo NPC.

Claudia lembrou que a data foi instituída como Dia Municipal da Comunicação Popular há 10 anos em homenagem ao comunicador popular Vito Giannotti, falecido em 24 de julho de 2015. Entusiasta da imprensa operária e sindical, onde atuou grande parte da vida, ampliou seus ideais com a fundação do Núcleo Piratininga de Comunicação. O tema de 2026 é “A comunicação popular e sindical na batalha das ideias”, um tema fundamental, como destacou Claudia Santiago em entrevista recente ao Brasil de Fato.

Participação do movimento sindical – Entre as barracas confirmadas estão a da Fundação Rosa Luxemburgo, as dos sindicatos dos professores das escolas privadas (Sinpro), trabalhadores das telecomunicações (Sinttel), servidores do judiciário federal (Sisejufe), profissionais de educação do estado (Sepe), técnico-administrativos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Sintufrj), trabalhadores do ramo financeiro (Federa), trabalhadores da indústria de frios (Sintrafrio), trabalhadores no comércio de minérios e derivados de petróleo (Sitramico), engenheiros (Senge). Do coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) e da organização BEM TV.

Entre os movimentos populares estarão o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento Unidos dos Camelôs (Muca), Movimento das Comunidades Populares (MCP), Central dos Movimentos Populares (CMP) e barracas da comunicação alternativa e da Comunicação Popular.

“E atenção: quem quiser enviar seus materiais para serem expostos na barraca do NPC, só falar com a gente!”, avisa Claudia.

Trajetória – Ex-metalúrgico, Vito foi autor de 30 livros, como “O que é jornalismo sindical”, “Muralhas da Linguagem” e “História das Lutas dos Trabalhadores no Brasil”. Seu legado faz com que neste dia 24 se comemore no Rio de Janeiro o Dia Municipal da Comunicação Popular.

Vito Giannotti nasceu no Comune de Lucca, na Itália, em 1943. Chegou no Brasil com um grupo de padres operários dissidentes da Igreja Católica. Passou pela França e por Israel antes do Brasil, que elegeu como seu novo lar.

Em Vitória, no Espírito Santo, trabalhou como pescador. Depois, sua paixão pela luta dos trabalhadores o levou para São Paulo, onde se tornou metalúrgico e militante dentro das fábricas. Crítico da estrutura sindical de origem varguista, participou ativamente da Oposição Sindical Metalúrgica, que contrariava o “comando pelego” de interventores da ditadura militar.

Para que as propostas sobre um novo sindicalismo e sobre a luta de classes fossem compreendidas e assimiladas, se tornou um especialista da comunicação. Através de boletins, panfletos e jornais operários, fazia com que as informações chegassem aos trabalhadores, mas sem abandonar o olho no olho.

Torneiro mecânico – Em São Paulo, depois de estudar tornearia, começou a trabalhar em fábricas como ajudante geral, para depois virar torneiro de fato, profissão que exerceu por 25 anos. Em 1974, foi preso pelo regime militar com dezenas de outros metalúrgicos, devidos suas atuações no sindicato, nas assembleias e na distribuição dos boletins. Após a prisão, ele e os demais permaneceram na mira do DOPS, o que desmobilizou temporariamente a Oposição Sindical.

Em 1978, Vito denuncia as fraudes na eleição do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, então dominado pela estrutura “pelega” que se subordinava à ditadura – conforme mostra o documentário “Braços Cruzados, Máquinas Paradas“, de Sérgio Toledo e Roberto Gervitz.

No ano seguinte, a Oposição vira modelo de sindicalismo para o país, mudando a estrutura de organização dos trabalhadores e contribuindo para as primeiras grandes greves gerais da categoria.

Imprensa Operária – Além de figura importante nas fábricas, Vito se interessou pela imprensa operária, sendo responsável pela produção e publicação de jornais como o Luta Operária, extinto após o Ato Institucional 5 (AI-5) — que, entre outros efeitos, oficializou a censura. Na clandestinidade, as publicações, com outros nomes, continuaram a circular, sendo entregues nas portas de fábricas cedinho, antes da entrada dos trabalhadores.

De 1972 à 1974, a intensificação da repressão fez com que as publicações fossem extintas, até retornarem com o jornal Luta Sindical, que durou de 1976 à 1984. Os jornais tinham a dupla função de formar e informar.

Como intelectual e leitor de Marx, Bordiga, Gramsci, Rosa Luxemburgo, Trotsky e Lênin, Vito levava esses autores para discussões em reuniões de greves. Transformou publicações em formato de “caderninhos”, que cabiam no bolso do uniforme dos operários, muitas vezes semi-analfabetos. Assim, ajudou a popularizar o marxismo entre os trabalhadores.

Dirigente da CUT – Após a experiência com a comunicação operária, Vito foi diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em São Paulo e, em 1992, fundou o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), no Rio de Janeiro. Lá, mergulhou no que foi a sua paixão desde o início, e passou também ensinar a comunicação popular.

A ideia inicial foi de sua companheira, Claudia Santiago. Assessora da CUT no Rio de Janeiro. Ela era apaixonada pela comunicação com os trabalhadores e responsável por boletins diários, jornais semanais e mensais, além de cursos de formação.

A grande marca de Vito no Núcleo, segundo Claudia, foi o curso de história das lutas dos trabalhadores. Inicialmente, foi idealizado por ela e desenvolvido para jornalistas de sindicatos, visando a necessidade de se entender a história do Brasil. “Tudo o que eu não sabia, eu coloquei no sumário do curso. Ele desenvolveu o curso em cima das minhas necessidades”.

Fonte: *Com informações do Núcleo Piratininga de Comunicação e do Brasil e Fato.