Lula, Motta e Alcolumbre destravam fim da escala 6x1 antes das eleições

Alcolumbre, Lula e Mota

O fim da escala 6x1 ganhou novo e decisivo impulso nesta quarta-feira (26). Em reunião no Palácio da Alvorada, o presidente Lula (PT), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acertaram a agenda prioritária para a semana de esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro, a última janela relevante de votações do Congresso antes das eleições.

Entre as 5 matérias selecionadas, a PEC 221/19, que reduz a jornada máxima de trabalho e assegura 2 dias de repouso semanal remunerado, ocupa posição central. Também estão na pauta a PEC 18/25, da Segurança Pública, a medida provisória (PM 1.357/26) que suspende a chamada “taxa das blusinhas”, o PL (Projeto de Lei) 2.780/24, marco legal dos minerais críticos e o PL 278/26, do Redata (regime tributário para data centers).

O encontro representa mudança importante no ritmo de tramitação da 6x1. A proposta estava há meses aguardando avanço no Senado e só chegou à CCJ na semana passada, depois de reaproximação política entre Lula e Alcolumbre.

Agora, o relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), prepara-se para apresentar parecer e tentar votar a matéria já em 2 de setembro.

40 HORAS E 2 DIAS DE DESCANSO

A PEC 221/19 chegou ao Senado depois de ser aprovada pela Câmara em 2 turnos, com expressiva maioria: 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. O texto aprovado estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em 5 dias, com 2 dias de repouso remunerado e sem redução salarial.

A proposta é o substitutivo elaborado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) a partir das PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e 8/25, da deputada Erika Hilton (PSol-SP). A versão aprovada pela Câmara optou por redução para 40 horas, em vez das 36 horas previstas originalmente em ambas as propostas, e prevê período de transição.

No Senado, Omar Aziz sinalizou que pretende preservar o texto aprovado pela Câmara. A estratégia é relevante porque eventuais alterações obrigariam a proposta a retornar à Câmara, dificultando a aprovação ainda em 2026. A manutenção do texto, portanto, abre caminho para tramitação mais rápida.

O presidente Lula voltou a defender a mudança como demanda social. Para ele, não é razoável que trabalhadores cumpram 6 dias de trabalho para ter apenas 1 de descanso. A redução da jornada, segundo o presidente, permitiria mais tempo para a convivência familiar, o lazer e outras dimensões da vida.

A proposta também conta com forte apoio da população. Pesquisa Datafolha citada em levantamentos recentes aponta que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1.

PAUTA COM FORTE APELO SOCIAL

O avanço da PEC tem evidente dimensão política, mas não se resume a essa. O fim da escala 6x1 se transformou em uma das principais reivindicações do movimento sindical e ganhou adesão especialmente entre jovens trabalhadores, que questionam jornadas extensas, pouco tempo livre e dificuldade de conciliar trabalho, estudo, família e vida pessoal.

A mudança também recoloca no centro do debate público a relação entre jornada, produtividade e qualidade de vida. O argumento de que qualquer redução da jornada necessariamente prejudicaria a economia é contestado por experiências internacionais e por estudos que apontam possibilidades de ganhos de produtividade associados à reorganização do tempo de trabalho.

A própria tramitação da PEC na Câmara demonstrou que o tema ultrapassou as fronteiras ideológicas tradicionais. O placar de 461 votos favoráveis no segundo turno mostra que a defesa de 2 dias de descanso encontrou apoio parlamentar bastante amplo.

ALCOLUMBRE MUDA O TOM

O avanço também evidencia a mudança na relação entre Lula e Alcolumbre. O presidente do Senado vinha sendo alvo de críticas de setores do governo e de aliados por segurar matérias de interesse do Executivo. A reaproximação entre ambos, contudo, abriu espaço para a tramitação das propostas da 6x1 e da Segurança Pública.

O almoço desta quarta-feira teve, portanto, significado que vai além da pauta legislativa. Analistas identificaram na reunião demonstração de força e de coordenação entre Executivo e cúpulas de ambas as Casas do Congresso, a pouco mais de 1 mês do primeiro turno.

Há também dimensão eleitoral evidente. A redução da jornada é bandeira de forte apelo popular e integra a agenda de campanha de Lula. A oposição, por sua vez, tem interesse em impedir que a medida seja aprovada antes da eleição e se transforme em conquista associada ao governo.

Mas, independentemente da disputa eleitoral, a responsabilidade agora é do Congresso: transformar o acordo político em votação efetiva.

SEGURANÇA PÚBLICA NO PACOTE

A PEC da Segurança Pública também ganhou prioridade. O relator na CCJ do Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), sinalizou que deverá apresentar parecer favorável ao texto aprovado pela Câmara.

A proposta reorganiza competências entre União, Estados e municípios e trata das fontes de financiamento da segurança pública, incluindo recursos provenientes das apostas esportivas para os fundos nacionais da área e do sistema penitenciário.

Lula afirmou que, uma vez aprovada a PEC, pretende criar o Ministério da Segurança Pública e discutir orçamento específico para estabelecer política nacional articulada com Estados e municípios.

A iniciativa procura responder a uma das principais demandas da sociedade: mais integração entre as forças de segurança e maior participação da União no enfrentamento ao crime organizado.

“TAXA DAS BLUSINHAS” TEM PRAZO

Outro item com prazo apertado é a MP 1.357/26, que suspende temporariamente a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

A medida perde validade em 8 de setembro. Por isso, a comissão especial deverá ser instalada em 1º de setembro, com a intenção de acelerar a análise e permitir que Câmara e Senado votem a matéria dentro do prazo.

A cobrança, criada em 2024 sob o argumento de proteger o comércio nacional, é alvo de forte controvérsia. De um lado, o varejo brasileiro reclama da concorrência com plataformas estrangeiras; de outro, consumidores defendem o acesso a produtos mais baratos.

MINERAIS E DATA CENTERS

O marco legal dos minerais críticos também foi incluído na agenda. O PL 2.780/24 cria política nacional para pesquisa, exploração, beneficiamento e transformação de minerais considerados estratégicos para setores como transição energética, indústria de alta tecnologia e segurança nacional.

O Redata, previsto no PL 278/26, estabelece regime especial de tributação para estimular a instalação e expansão de data centers no País, com incentivos vinculados a investimentos em infraestrutura tecnológica, pesquisa e inovação e uso de energia limpa.

São 2 agendas relacionadas ao projeto de desenvolvimento nacional: uma orientada aos recursos minerais estratégicos e outra à infraestrutura da economia digital.

ÚLTIMA JANELA ANTES DAS URNAS

O acordo entre Lula, Motta e Alcolumbre cria janela política rara. Entre 31 de agosto e 4 de setembro, o Congresso poderá votar combinação de medidas de forte impacto social, econômico e político.

Para a PEC 221/19, entretanto, o caminho ainda não está concluído. Depois da CCJ, será necessário superar as 2 votações no plenário do Senado, com quórum qualificado de 49 votos favoráveis para chancelar a proposta. Se o texto for aprovado sem alterações, poderá avançar para promulgação; se sofrer modificações de mérito, retornará à Câmara.

Por isso, dizer que a escala 6x1 está definitivamente com os dias contados ainda seria precipitado. O que mudou, e muito, é que a proposta deixou de estar parada e passou a ter data, relator e compromisso político para avançar.

O desafio agora é transformar o acordo firmado no Alvorada em votos no plenário. Para milhões de trabalhadores submetidos à escala 6x1, a diferença entre promessa e conquista está justamente aí: na capacidade de o Congresso votar aquilo que a sociedade há meses vem cobrando.

O QUE PODE MUDAR

Se aprovada nos termos encaminhados pela Câmara, a PEC estabelecerá jornada máxima de 40 horas semanais, 2 dias de repouso remunerado e manutenção dos salários. A mudança será implantada progressivamente e deverá ser regulamentada para situações específicas.

CRONOGRAMA

O relator, senador Omar Aziz deve apresentar o parecer na CCJ do Senado, com votação prevista para 2 de setembro. É preciso incluir nesse cronograma, pedido de vista da oposição, de 24 horas. A semana de 31 de agosto a 4 de setembro será o último esforço concentrado do Congresso antes das eleições.

Fonte: Portal DIAP

SINPROESEMMA promove dia de lazer para servidores técnicos e de apoio da educação


O Sinproesemma realizou, no sábado, 08 de agosto, a terceira edição do Dia de Lazer para os Servidores Técnicos e de Apoio da Educação, reunindo trabalhadores em educação não docentes em um momento de confraternização, integração e valorização da categoria.

O evento aconteceu na sede social, na Estrada de Ribamar, e contou com programação de lazer, música e sorteio de brindes para os participantes. Entre as atrações, estiveram Crys Angel e Júnior Maranhão e Banda, que animaram a confraternização ao longo do dia.

Para a secretária de Servidores Técnicos e de Apoio, Maria Militana, a realização do encontro representa uma forma de reconhecer e valorizar os profissionais não docentes que fazem parte do cotidiano da educação.


“Este é um momento pensado especialmente para os nossos servidores técnicos e de apoio, que são fundamentais para o funcionamento da educação. Além de proporcionar um dia festivo, queremos fortalecer a convivência e demonstrar o quanto essa categoria é importante para o Sinproesemma”, declarou.

O presidente em exercício do Sinproesemma, Fábio Orlan, também destacou a importância da iniciativa: 
“O Sinproesemma é feito por todos os trabalhadores em educação, e os servidores técnicos e de apoio têm um papel fundamental nessa construção. Este momento de confraternização é também uma demonstração do nosso reconhecimento e do compromisso do sindicato com a valorização de toda a categoria”, destacou Fábio.

A terceira edição do Dia de Lazer reforçou a importância de criar espaços de convivência e integração entre os trabalhadores e trabalhadoras em educação, fortalecendo os vínculos e a atuação coletiva do Sinproesemma.

Fonte: ASCOM - SINPROESEMMA

Mercado de trabalho avança, mas precarização ainda freia melhora das condições de emprego, mostra Dieese


O mercado de trabalho brasileiro iniciou 2026 em trajetória de fortalecimento. É o que revela o ICT-Dieese (Índice da Condição do Trabalho), de junho, elaborado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base nos dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE.

No primeiro trimestre de 2026, o indicador alcançou 0,75, resultado 0,05 ponto superior ao registrado no último trimestre de 2025 e 0,07 ponto acima do observado no mesmo período do ano anterior. Como o índice varia entre 0 e 1, quanto mais próximo de 1, melhores são as condições gerais do mercado de trabalho.

O avanço reforça a continuidade da recuperação observada desde o pós-pandemia, sustentada pela expansão do emprego formal, pelo crescimento da renda e pela redução estrutural do desemprego.

Entretanto, o próprio Dieese ressalta que a melhora ainda convive com obstáculos importantes, sobretudo o aumento das formas precárias de ocupação e a persistente concentração da renda do trabalho.

O que mede o ICT-Dieese

Criado para oferecer visão mais abrangente da qualidade do mercado de trabalho, o ICT-Dieese vai além da tradicional taxa de desemprego. O indicador reúne 3 dimensões consideradas fundamentais:Inserção Ocupacional, que avalia formalização do vínculo empregatício, contribuição previdenciária e estabilidade no emprego;Desocupação, que considera desemprego, desalento, tempo prolongado de procura por trabalho e situação dos responsáveis pelos domicílios; eRendimento, que mede o rendimento real por hora trabalhada e o grau de concentração da renda.

A combinação dessas 3 dimensões permite avaliar não apenas se há mais pessoas ocupadas, mas também a qualidade dessas ocupações e a distribuição dos ganhos obtidos pelos trabalhadores.

Emprego formal
impulsiona indicador

O principal avanço do trimestre ocorreu na dimensão Inserção Ocupacional, cujo índice passou de 0,54 para 0,62.

Segundo o Dieese, esse desempenho reflete a continuidade da expansão do emprego com carteira assinada, um dos fatores mais importantes para elevar a qualidade do mercado de trabalho, já que empregos formais costumam oferecer maior proteção social, acesso à Previdência e maior estabilidade.

Apesar disso, a entidade destaca que a melhora poderia ser ainda mais intensa. Isso porque, paralelamente ao crescimento dos vínculos formais, continuam aumentando formas mais precárias de ocupação, como relações de trabalho com menor proteção trabalhista e previdenciária.

Na avaliação da entidade, esse movimento impede que o indicador de inserção ocupacional avance em ritmo mais acelerado.

Renda cresce e distribuição
melhora discretamente

Outro fator decisivo para o resultado positivo foi a evolução da dimensão Rendimento, que saltou de 0,68 para 0,75. O desempenho decorreu principalmente de 2 fatores:aumento do rendimento real por hora trabalhada; e
pequena redução da concentração dos rendimentos.

A recuperação do poder de compra dos salários vem sendo favorecida pela desaceleração da inflação, pelos reajustes salariais negociados acima da inflação em diversos setores e pelo fortalecimento do mercado de trabalho, fatores que ampliam o poder de negociação dos trabalhadores.

Embora a melhora distributiva ainda seja modesta, essa representa sinal importante de que os ganhos de renda começam a alcançar parcelas mais amplas da população ocupada.

Desemprego continua baixo,
mas indicador recua ligeiramente

A dimensão Desocupação apresentou pequena redução, passando de 0,88 para 0,87.

À primeira vista, o resultado pode parecer contraditório, mas decorre da metodologia do índice: como valores mais altos representam melhores condições de trabalho, a leve queda indica pequena deterioração nesse componente específico.

Segundo o Dieese, o movimento foi provocado pela elevação da taxa de desemprego e do desalento — inclusive entre os responsáveis pelos domicílios — parcialmente compensada pela diminuição da proporção de trabalhadores em situação de desemprego de longa duração.

Ou seja, embora mais pessoas tenham voltado a procurar emprego, aquelas que permanecem desempregadas há muito tempo diminuíram proporcionalmente.

Tendência continua positiva

Na média móvel dos 4 últimos trimestres, o ICT-Dieese mantém trajetória consistente de crescimento.

As 3 dimensões apresentam evolução favorável, indicando que a melhora observada não decorre de fatores conjunturais isolados, mas de processo gradual de fortalecimento do mercado de trabalho.

Para o Dieese, os principais vetores positivos permanecem os mesmos dos últimos anos:

redução interanual das taxas de desemprego e desalento;


crescimento do emprego com carteira assinada; e


aumento do rendimento real do trabalho.


Esses fatores sustentam a elevação contínua do indicador e reforçam o ambiente de recuperação do mercado laboral brasileiro.



Precarização ainda limita
qualidade do trabalho

Apesar da evolução positiva, o estudo alerta que o mercado de trabalho brasileiro continua marcado por importantes desequilíbrios estruturais.

O crescimento de formas precárias de inserção ocupacional — como vínculos de menor proteção social, elevada rotatividade e informalidade parcial — reduz o ritmo de melhora da qualidade do emprego. Ao mesmo tempo, a concentração dos rendimentos ainda permanece elevada, restringindo os efeitos distributivos do crescimento econômico.

Na prática, isso significa que o País gera mais empregos e melhora a renda média dos trabalhadores, mas ainda enfrenta dificuldades para converter essa expansão em ocupações de maior qualidade e em distribuição mais equilibrada dos ganhos do trabalho.

Principais números do ICT-DieeseICT-Dieese: 0,75 no primeiro trimestre de 2026;


Alta de 0,05 ponto em relação ao quarto trimestre de 2025;


Alta de 0,07 ponto na comparação com o primeiro trimestre de 2025;


Inserção Ocupacional: de 0,54 para 0,62;


Rendimento: de 0,68 para 0,75; e


Desocupação: de 0,88 para 0,87.



Leitura dos resultados

Os dados do ICT-Dieese indicam que o mercado de trabalho brasileiro segue em processo de fortalecimento, com avanços consistentes na formalização do emprego e na recuperação da renda.

O índice de 0,75 representa um dos melhores resultados recentes e confirma que a economia continua absorvendo trabalhadores em ritmo favorável.

Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia que o desafio deixou de ser apenas gerar postos de trabalho. A agenda passa a envolver a elevação da qualidade dessas ocupações, a redução da precarização e a diminuição das desigualdades salariais.

Em outras palavras, o País avança na quantidade de empregos, mas ainda precisa transformar esse crescimento em trabalho mais protegido, estável e mais bem remunerado para consolidar mercado laboral verdadeiramente inclusivo e sustentável.

Acesse a íntegra do ICT-Dieese

Fonte:PORTAL  DIAP